sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Apócrifo, das cartas não enviadas: a vontade de São Pedro



Lullaby Boy,

"I shut my eyes and all the world drops dead;
I lift my lids and all is born again.
(I think I made you up inside my head.)"
Sylvia Plath




Estou sentada na varanda, em trajes de banho, esperando a chuva cair. Quero livrar, ao menos por hoje, os meus cabelos do cloro da água encanada. Talvez, da rotina também.

Mas para isso é preciso paciência. Deveras.Acontece que essas pequenas coisas que têm o poder de lavar a alma são breves demais e qualquer distração pode dissipar nuvens,exibindo o gordo e velho sol. Então espero.



Os outros, bem verdade, não ajudam. Meu irmão já me disse para não esperar, que hoje não chove mais. Quem garante? Não, já não acredito em previsões do tempo, em trânsitos astrológicos ou em alarmes de incêndio. Num mundo ao avesso só é possível acreditar na própria vontade, transformando qualquer previsão em absurdo.

Assim, meu bem, se hoje me dissessem que eu encontraria você por alguma das ruas dessa cidade, colocaria o meu melhor vestido e sairia andando até que 'a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus' resolvessem se encontrar. E assim vingariam todos os clichês de todos os poetas de todos os tempos. E Peixes entraria na sétima casa, com fortes pancadas de chuva na área escura do mapa e com algum Nero pos-moderno tocando fogo em toda a cidade. Mas não importaria.

É, essa previsão seria magnifica, apesar de saber que você está a muitos quilômetros daqui.


Agora eu tenho que ir, começou a neblinar.

Ao menos a certeza de que estamos sob o mesmo céu me consola. E quem sabe?




2 comentários:

Ramon de Alencar disse...

...
- ´´Quem sabe´´ chega a ser tão cruel quanto ´´quase´´.

Mas há de chover, há de chover...

Thalita Castello Branco, disse...
Este comentário foi removido pelo autor.