domingo, 28 de setembro de 2008




"Ninguém pode articular uma sílaba que não esteja cheia de ternuras e de temores; que não seja em alguma dessas linguagens o nome poderoso de um deus. Falar é incorrer em tautologias. "

Jorge Luis Borges

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A ligação

- Olha, desculpa ligar essa hora. Preciso falar.
Tenho ocupado a noite com o impossível. Nunca durmo uma por inteiro. Tenho forjado irrealidades: um outro mundo com outras pessoas. Um outro mundo que posso controlar plenamente, ou quase. Se os outros barulhos são tão insistentes, não insisto em falar. Minha linguagem é outra. Não, não as palavras. Falo com as mãos, grito com os olhos, sussurro com os erros. Minha risada mora nos meus pés. Há dias espero por algo que não existe. Há dias rezo por pessoas que não sabem quem eu sou. Mas elas, elas impregnam meus dias como fantasmas, têm controle sobre meus horários, atrasam e adiantam meu relógio.
Imagino-as tomando café, lavando roupas, atravessando insônias, chorando em filmes. Há dias que imagino-as ao meu lado, dividindo cômodos de uma casa que não existe, mas tem piso de madeira. Tenho tudo sob controle, exceto uma coisa: não posso evitá-las.Contudo, posso inventá-las do jeito que quero,
quantas eu quiser. Algumas eu realmente não conheço, nunca vi. Outras vi numa parada de ônibus ou na fila do banco. Há ainda aquelas que convivem comigo, mas são tão absurdamente fechadas e misteriosas que é possível inventar-lhes a vida. Enquanto isso, abandono o existente. Deixo as roupas espalhadas pela casa, só como comida pronta.
Porque só é possível amar o que está distante? É tão fácil negligenciar o que já estão aqui, os que já conheço (ou penso conhecer, o que é bem mais provável). Eu só queria te dizer que eu amo alguém que não existe e espalho esse alguém em qualquer face desconhecida. E isso está me matando.
No mais: Quero uma pizza 4 queijos com bastante orégano.
- Forma de pagamento?
- Dinheiro.
- Troco?
- Sim, para 50.
- Se o seu pedido não chegar em 28 minutos a Sra. não precisa pagar. Boa noite e obrigada pela preferência.
- Obrigada.
Depois de comer, apaguei a luz e fechei as cortinas. Não consegui dormir. Passei a noite imaginando como seria a vida daquele desconhecido tão paciente que me ouvira ao telefone. Só com o dia nascendo consegui pegar no sono. Sonhei com um rapaz de rosto cansado, com a cabeça encostada na janela do metrô na volta pra casa.

terça-feira, 19 de agosto de 2008





No filme “Nós que aqui estamos por vós esperamos” o diretor Marcelo Masagão propõe-se a construir um retrato não convencional do séc. XX. Ao colocar em segundo plano a visão de uma historiografia tradicional, na qual os sujeitos que constroem a História são as classes ou as instituições, Masagão deu preferência à micro-história. A análise desenvolve-se a partir da exploração das fontes, envolvendo-se com descrição etnográfica e preocupando-se com uma narrativa literária, contemplando temáticas ligadas ao cotidiano de personagens, geralmente figuras anônimas que passariam despercebidas na multidão.
A estrutura deste documentário é semelhante a um “mosaico de imagens”, onde fotografias e vídeos são justapostos em seqüências fragmentadas. Não por acaso. O Séc. XX se configurou intrincado, contraditório e difícil de se compreender, onde as pressões estruturais se chocavam com as decisões individuais, onde a modernidade e o anseio por velocidade contrastavam com a miséria e o atraso de países subdesenvolvidos e explorados.

Entre as peças escolhidas para compor este “mosaico”, algumas merecem atenção especial.
A guerra e os homens comuns

O filme consegue inserir com maestria o contexto individual de alguns personagens no contexto das duas grandes guerras, criando paralelos entre seus cotidianos e os acontecimentos mundiais mostrando, por exemplo, como gerações de uma mesma família participaram dos vários conflitos bélicos do Séc. XX. Trata dos transtornos psicológicos pós-guerra, da solidão que os fatos acabavam por submeter às pessoas, das vidas que se reorganizavam em torno da guerra (mas não eram totalmente decididas por ela), das ideologias que surgiam e de outras que se extinguiram em um curto espaço de tempo.
Entretanto, é na forma sutil de mostrar como vida e morte tornaram-se banais nesse período que o documentário consegue nos chocar. É justamente a morte que interliga todas as peças do “mosaico” e nos faz lembrar que nós, assim como aqueles personagens de um século que já acabou, um dia teremos o mesmo fim. A morte é usada como elemento chave para a conexão de todas as histórias. É ela que iguala os ricos e miseráveis, orientais e ocidentais, mulheres e homens, ditadores e anarquistas.
O equilíbrio das abordagens

Marcelo Masagão foi muito sóbrio na escolha dos temas e personagens de seu documentário. O retrato histórico por ele construído não foi exclusivamente econômico, masculino, europeu, burguês ou proletário. Emancipação feminina, a invenção e consolidação do cinema, o Oriente e seus pequenos personagens encantadores, as artes plásticas, a dança, a psicanálise... Todos essas peças foram usadas pelo diretor para driblar o paradigma do determinismo econômico, mostrando uma nova ótica que contraria àquela de Karl Marx: “A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes.” Para Masagão a história da sociedade não é só a da luta de classes: é também a história dos conflitos internos, dos afetos, da solidão.
“Nós que aqui estamos por vós esperamos” não se trata apenas de um filme que reconstrói de uma forma pós-moderna o breve Séc. XX. Os 73 minutos falam, sobretudo, de uma humanidade possível em qualquer tempo e espaço. De homens e mulheres que trabalharam, lutaram, amaram, odiaram, sofreram, contaram histórias, riram e agora estão lá, na sombra discreta do cemitério, esperam de nós.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Apócrifos, Das cartas não enviadas: 19

F.A. ,

Pois é, mais um ano. Algo estranho aconteceu: foi a primeira vez que não me sentia bem por ser meu aniversário. Por algum motivo sinto que esse pode ser o primeiro de muitos assim, mas desejo que eu só volte a sentir algo como hoje aos 30, e nunca mais. Sempre fui, de certa forma, alguém que celebra secretamente a vida. Não existia mazela que me derrubasse a única certeza, a concreta, unipotente. Mas ontem eu descobri: não existe nada mais frágil que uma certeza. Dúvidas, sim, podem ser unipotentes. Contudo, essa constatação que te confesso, no meio da madrugada e ouvindo os tiros na tv ligada que nem assisto mas me espanta o medo do subjetivo, não abalou por completo o sentimento (que chamava equivocadamente de certeza) de "maravilhamento" com o existir: "Que Deus perfeito é esse que me permite duvidar de todas as coisas?!" E derrepente me encho novamente 'da matéria de que sou feita'. Nessa madrugada insone conheci o conceito de "Eterno Retorno". O Nietzsche é um filho das trevas abençoado pelo divino. Que maldadade e gentileza a dele me colocar num dilema desses logo no primeiro dia dessa nova volta ao redor do sol:

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: 'Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!'. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um Deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"

Eu ainda não sei, ao certo, se sou tão plena a ponto de conseguir repetir o tal "maravilhamento"por toda a eternidade, mas a resposta parece me vir pela boca do mesmo carrasco:

"Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo".

"Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: - assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas."


Ainda não sei nada sobre isso. Contudo, outras coisas já descobri. Por exemplo: descobri que a minha primeira tarefa neste novo ano é uma que tive há algumas voltas atrás: Preciso aprender a falar. Preciso pôr fim à minha vida infantil. E no inicio vou gaguejar e trocar as palavras. Vou me apropriar das imagens, fazer mímica, desenhar. Sinto que de alguma forma já passei por isso antes e talvez o Nietzche não esteja equivocado: Estou eternamente retornando, dando voltas ao redor de um Sol. Mas nunca será da mesma forma. Bom ou Ruim, só será diferente.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Two way monologue

- Pois antes de tudo vem a vontade, cara. Vontade é uma coisa importante, apesar de não parecer.

E mesmo que ela me dissesse isso com firmeza eu não conseguia acreditar que ela estava concentrada em mim. O resto do mundo parecia não existir enquanto ela cortava as unhas dos pés.

- Acho que tudo isso é só preguiça sua de virar um homem de verdade. Me passe aí a acetona.

Como me irritava que ela não ouvisse. É que suas respostas nunca eram pensadas para me ajudar, mas para mostrar como ela era inteligente e muito mais madura, apesar de dois anos mais nova que eu. Glória era o tipo de mulher que nunca reconhecia um erro: era o mundo inteiro que conspirava contra ela.

- Não é tão simples assim não, Glorinha. Você sabe que eu estou cansado de estar há tanto tempo vivendo nesse pesadelo. Você sabe que eu quero sair disso. Sabe mais do que ninguém.

- Eu sei, eu sei. Mas é preciso ser paciente, Alberto. Paciência é a maior virtude que um homem pode possuir.

Às vezes eu chegava a pensar que ela tinha escondido em algum canto daquela cabecinha despenteada um livro chamado: 100 frases prontas para os problemas de Alberto. Era incrível como Gloria sempre conseguia encaixar as mesmas frases em contextos totalmente diferentes.


- Alem do mais você não se cuida. Desde quando você não vai à academia? Acho um absurdo gastar um monte de dinheiro com mensalidade para ir um ou dois dias. Sem falar nessa sua péssima mania de comer na frente da TV. Você sabia que, eu li numa revista, Comer na frente da TV reduz a sensação de saciedade em 30%? É por isso que você tem sempre que encher o prato duas vezes.

- E o que é que isso tem a ver com esse vazio no meu peito, Glória, me diz! É incrível como você sempre acha uma brecha para me criticar quando eu estou é precisando de sua ajuda!

- Me surpreende é que um homem tão culto como você, esse grande entendedor da literatura universal e desses filmes sem pé nem cabeça, não consiga aprumar a própria vida.

Dizia isso enquanto lixava as unhas. E o fazia com uma concentração de quem faz cálculos de matemática. Eu gostava daquele jeito que ela tinha de espremer os olhinhos, enchendo os cantos de pequenas rugas.

- Mais surpreendente ainda é um homem como eu continuar insistindo em conversar com uma pessoa como você: Cabeça dura. Você não absorve nada do que eu digo, Maria da Glória, nadinha!

- Ah, preguiça de você, Alberto. Me diz: Rebu ou Gabriela?

E essa foi a primeira vez que ela olhou pra mim durante todo aquele tempo. Tinha olhos infantis e a cabeça pendia um pouco para o lado enquanto ela segurava um vidro de esmalte em cada mão. Pensei em ser grosseiro e perguntar porque ela não escolhia sozinha já que ela era uma mulher tão segura e decidida. Mas tinha algo de mim naquela Glória, alguém que eu era há alguns anos atrás. Alguém que eu não queria perder de vista e por isso insistia tanto em reencontrá-lo nesses monólogos dela. Mais meus do que dela. Além do mais, eu já sabia: ela justificaria a sua indecisão pondo toda a culpa em seu ascendente em libra e sua lua em virgem. O que aquela menina ainda não sabia era que seu sol era em Alberto.

- Esse mais aberto, respondi, afagando-lhe a cabeça.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

3:33

I.



O silêncio estendia suas garras, arranhava a pouca mobília, deformava-lhe, dava-lhe formas diversas. Poderiam ouvir os sons, o estalar da madeira da mesa, o tilintar das louças, eternamente estendidas no escorredor de pratos, já que o novo apartamento ainda não possuía armários. Poderiam ouvir os passos cansados assombrando o corredor, o arrastar de uma cadeira vazia, o barulho das chaves girando em eternas voltas na fechadura da porta que não se abria. Poderiam ouvir o zumbido de uma motocicleta rasgar a imobilidade da madrugada. Um galo adiantado profetizando uma manhã que nunca chegava. Poderiam. Mas não estavam lá. Nenhum deles.

Chegara cansado do plantão. Aquela semana pareceu um século. Contudo, a dor nas pernas e as olheiras não conseguiam esconder a ansiedade que se apropriara dele desde que tomara a decisão. Precisaria de coragem. Talvez precisasse de vinho mais que de coragem. Não ligaria a TV, não ouviria música, não telefonaria para casa. Era preciso estar concentrado. Era preciso evitar qualquer possibilidade de distração, qualquer possibilidade de desistência.

Sábado, 28 de junho. O ponteiro das horas não se movia do três. “Feliz aniversário”, pensou. Abriu as portas da varanda. As luzes do Recife pareciam milhares velinhas perfurando um bolo escuro. “Feliz aniversário”, gritou ele. A resposta não demoraria a chegar.
Caminhou até o quarto com as pernas trêmulas. Encostou a cama na parede, deixando livre o centro. Desligou o celular, tirou o fone do gancho. Deu duas voltas seguras na fechadura da porta do quarto e escondeu a chave num canto impossível de encontrá-la no escuro. Fechou a janela e apagou a luz.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

À mesa

É para ti,oh cavaleiro inexistente, que eu ponho a mesa do jantar. Vem sentar-te ao meu lado, deixa-me ver a tua invisível fome. Te encho o copo do que não foi até transbordar esse líquido vermelho de palavras mudas, para saciar a tua falta de sede.

(falta algo aqui nesse espaço em branco. Talvez as coisas que eu ainda não consigo entender. O comer sem reclamar.)


Espera, não te levantas ainda. Falta a sobremesa depois da refeição indigesta. Tua educação palaciana não é de recusas. Mas serena, pois essa parte é doce e já se aproxima o fim. Te encho o prato de meus silêncios, de luas e luas sobre essa terra e te sacias. Monta em teu cavalo e seguido do teu fiel escudeiro vais embora.

Tendo a certeza de que amanhã vais voltar.

Ou será a festa das moscas.

Pôr-do-sol no meio-céu

Os alvos demônios do meio-dia, foram eles. Invadiram-me a cabeça, fazem festa. Mas o salão, o salão permanece vazio. A girar com a vertigem dos que brincam de roda sozinhos e estão sempre, sempre a ouvir a música. A música ao longe.
Foram eles.
Reviraram minhas gavetas.
Tricaram meus espelhos.

Materializam meus rascunhos.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Guardo minhas palavras.

"Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem."(Mateus 7 :6)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Espaços intradigitais vazios
ausência de outras mãos

A morfologia da solidão fez-se:

quatro espaços vazios em cada mão e, ainda que pares, ímpares.


Alianças adornam o dedo
nunca os espaços vazios
(seria mesmo um sinal de evolução ter uma lacuna não preenchida a mais?)

Ainda assim, contra o que se espera dos homens, foram-me dadas duas mãos



Para que eu não me esqueça que é sem volta.



Imagem: David Ho

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Apócrifos, Das cartas não enviadas: Taxi

30 de abril de 2007.





Lá se foi você. (Denovo). Dobrou a esquina e seguiu num rumo que já não sei mais. O que sei é que tem areia entre meus dedos e esse sentimento tão raro, que não sabe ser escasso e que não cessa, decidiu fincar os pés aqui dentro de mim.

Único por não saber dizê-lo. Tento comparar, usar figuras de linguagem sempre tão batidas, tento dar nós em fios que sequer consigo segurar entre os dedos. Depois?

Depois continua aqui. Essa coisa imensa e sem nome que penso ser mar, se não fosse também terra firme (ou fofa, onde afundam meus pés). Que eu penso ser mar, se não fosse antes de todas as cores. Que eu penso ser mar, se já não fosse há muito (dentro de mim e maior que eu).

Lá se foi você dobrando a esquina, num carro estranho que tem uma plaquinha brilhante, onde com letras verdes está escrita uma palavra que em algum dialeto muito, muito antigo deve significar "arrancar pedaços".

Apócrifos, das cartas interminadas: Lençóis



e no fim...




Da minha janela posso ver uma nesga de céu laranja. Dizem que noites assim são noites de chuva, mas o vento que sopra é só frio e não me traz uma gota d'agua sequer.
Posso ouvir num ponto distante fora do meu quarto uma televisão ligada, sintonizada num daqueles programas de madrugada, e um silêncio se arrastando entre os casais que dividem a mesma cama. Falta-me o sono.
Me pergunto quantas pessoas estão, como eu agora, olhando o céu laranja que se abre em buracos cor de chumbo quando faltam nuvens.
Meus pés passeiam por entre os lençóis.
Deslumbra-me a pouca luz que cai sobre mim. Será que o céu é laranja porque reflete a luz dos postes? Se for assim, alimento o desejo de uma queda de energia. Só pra descobrir a verdadeira cor do céu. E ver as tais estrelas que a luz esconde.




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Nesses apócrifos colocarei trechos ou cartas inteiras não enviadas. Ou ainda textos não concluídos ou que mereciam a fogueira.



Qualquer Deja Vu é mera vontade do 'ter sido'.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Das Ilhas e Tardes perdidas.

Pensando bem, se me fizessem aquela velha pergunta "O que você levaria para uma ilha deserta"? Eu responderia: uma Tv que sintonizasse a sessão da tarde. Daria eu a sorte de assistir "O Naufrago" ou "A Lagoa azul" e aprender a sobreviver?

Espero que sim. Ou teria o tédio como causas mortis.